Nos ultimos anos, a idéia de que o Brasil é um país atrasado tecnologicamente,recordista mundial de desigualdades sociais,o Estado é ineficiente e deficitário,a produtividade do trabalhador brasileiro é pequena e que é hora de mudar e fazer reformas vem sendo cada vez mais reforçada.Mas o tempo passa e a sensação que temos é que nada mudou,ou,se mudou, foi muito pouco.
Desde a colônia, e principalmente depois da independência,generalizou-se a idéia de que somos um povo e um país atrasados e que,por isso,deveríamos nos esforçar para nos igualarmos aos países mais avançados do mundo,na época Inglaterra, Alemanha ou França.Hoje está na moda dizer que temos de nos empenhar para trasformar o Brasil em um país de primeiro mundo.E,aqui,ser um país de primeiro mundo equivale a ser igual os Estados Unidos.
A idéia que, no final de contas,acaba prevalecendo é a de que somos o patinho feio do mundo.A questão de identidade nacional-ou seja, quem somos,o que somos-fica soterrada sob esse discurso e perdemos a noção de que país é este."O Haiti é aqui/O Haiti não é aqui", cantam Caetano Veloso e Gilberto Gil.Esse é o retrato mais fiel que podemos fazer do nosso país?! Temos os extremos convivendo lado a lado e, entre os dois,encontramos inúmeros "Brasis".As dimensões geográficas, as disparidades culturais, os distintos ritmos de desenvolvimento, a combinação das mais variadas formas de sobrevivência e as diferentes origens étnicas e culturais fazem do nosso país algo complexo de ser entendido, dirigido,tornando-se difícil encontrar soluções satisfatórias que, a médio e a curto prazos,promovam o país a um estágio superior de desenvolvimento.
Nossa terra é ainda um país em formação, que não se libertou de suas raizes colôniais em sua mentalidade,na forma como se enxerga em seu desenvolvimento econômico e em seu lugar no mundo, no modo como as pessoas convivem ou na relação entre as classes sociais e entre essas e o Estado.Há a impressão de que não temos raízes, o que significaria não termos passado nem tradição.Se os temos, há aqueles que preferem usá-lo para culpar alguem ou algo pelo que somos hoje.
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O que queremos é fazer ver que muitas das idéias que temos sobre nosso país e o povo que somos estão calcadas em preconceitos.Preconceitos que, introduzidos ou aqui criados,passaram a fazer parte de nossa identidade e geram enorme dificuldades para esclarecer quem somos,o que somos e como conseguiremos alcançar o tão esperado futuro de felicidade.
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Se o preconceito pode ter diversas origens e se manifestar de inúmeras formas entre as pessoas e as classes sociais, existe também o seu caráter funcional, ou seja, seu uso consciente para atingir determinados fins.O preconceito não é privilégio de um determinado tipo de organização social,como a capitalista, a escravagista,a socialista,e assim por diante, mas sim a dificuldade de o ser humano aceitar o outro como ele é.O que cada organização social faz é potencializar, ou melhor,amplificar certos preconceitos que refletem a formação histórica de uma determidada sociedade, e refratando as necessidades das elites dominantes.
Texto extraído do livro "Brasileiro, sim senhor! "de João Carlos Agostini,Editora Moderna,págs.10 e 11
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